24 de ago. de 2013

EU E BRIZOLA

O ano era 1990 e foi a primeira vez que fiquei frente a frente com Leonel Brizola. Eu tinha 21 anos e era Presidente da UMESPA.
O objetivo do encontro era um depoimento de Brizola sobre o Colégio Júlio de Castilhos, o “Julinho”, para o Jornal do Grêmio Estudantil, cujo presidente era o companheiro Zé Pedroso.  Estávamos entrevistando várias personalidades gaúchas que estudaram lá.
Não foi fácil chegar perto dele, contamos com importantes ajudas: Primeiro do Názaro Borges, que nos levou até a sede da FEPLAN, no Menino Deus, onde ele iria gravar o programa eleitoral do PDT (O PDT disputava o 2º turno das eleições, com Alceu Collares, tendo como adversário Nelson Marchezan). Não nos deixaram entrar e só pudemos vê-lo passar de carro. Descobrimos que ele participaria do programa Câmera 2 na TV Guaíba, e partimos para lá. Como estávamos a pé, subimos o morro de ônibus, chegamos lá quando ele estava saindo, cruzamos por ele na saída, enquanto entrávamos, uma verdadeira caçada, onde estávamos levando a pior.
Meu primeiro encontro com Brizola, na porta da RBS em 1990. Com José Pedroso
Já era tarde da noite quando ficamos sabendo que Brizola estava na RBS, e fomos “literalmente correndo” até lá. Tentamos entrar, mas não permitiram, então fomos até o estacionamento e identificamos o carro que o estava conduzindo, e aí entrou segunda e importante ajuda que tivemos: O Conceição, até hoje motorista do PDT, e que conduzia Brizola naquela noite. Chamamos ele, explicamos que estávamos desde a tarde tentando uma oportunidade de falar com Brizola e não conseguíamos, relatamos nossa correria e nosso esforço, ele resolveu ser solidário, pediu que ficássemos com ele e quando Brizola saiu, ele nos apresentou. Fizemos a entrevista e estas fotos que são as primeiras que fiz, depois delas vieram milhares de outras.
Aquele ano de 1990 foi um ano importante. O Brizola que encontrei, recém eleito governador do Rio de Janeiro, pela segunda vez,  se recuperava de uma eleição na qual deixou de disputar o segundo turno das eleições presidenciais de 1989, por muito pouco, porém, obteve uma votação consagradora no RS obtendo, sozinho, 62,66% dos votos dos gaúchos. Para ter uma ideia da magnitude deste feito: Eram 22 candidatos e o segundo mais votado aqui no RS foi Fernando Collor, com 9,23% dos votos, e que veio a ser eleito Presidente da República.
Um dos únicos registros que tenho fotografando Brizola - Eleições de 1994
Em 1990, além de ser eleito Governador do Rio de Janeiro no primeiro turno, Brizola foi fundamental para eleger dois governadores negros no Brasil, Alceu Collares, no Rio Grande do Sul, e Albuíno Azeredo, no Espírito Santo.
Sabia que estava diante de um dos maiores líderes deste país, mas nem imaginava quantas vezes iríamos nos encontrar de novo e a importância que ele teria em minha vida.
Em menos de um ano, após aquele encontro, comecei a fazer outros registros de Brizola e tive a oportunidade de conviver com ele inúmeras vezes, viajei a seu lado, de avião, de carro, por diversos lugares, e registrei importantes momentos, durante mais de uma década, até sua morte em 2004.
Com Brizola e Sereno Chaise. Se a memória não me falha essa foto foi feita pelo Conceição durante uma de nossas paradas para as refeições
O Conceição se transformou em um grande amigo, ele continuou conduzindo Brizola por muitos anos, e em muitas oportunidades eu estava junto, acompanhando as andanças por este Rio Grande.
Passaram-se mais de 20 anos desde o primeiro encontro com Brizola, e em 2014 completará 10 anos de sua partida, porém ele nunca saiu de minha memória e faz parte de importantes momentos de minha vida. Seu legado para o povo brasileiro é inestimável, principalmente no campo da Educação.

Brizola Sempre Viverá!
Minha história com Brizola prosseguiu, mesmo após sua morte. Construí uma relação de amizade com seus herdeiros políticos e netos, Brizola Neto, Leonel Brizola e Juliana Brizola, de quem tive a honra de ser assessor durante parte de seu mandato na Assembleia Legislativa do RS


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